O Complexo do Pantanal, ou simplesmente Pantanal, é um bioma constituído principalmente por uma savana estépica, alagada em sua maior parte, com 250 mil km² de extensão, altitude média de 100 metros,[1] situado no sul de Mato Grosso e no noroeste de Mato Grosso do Sul, ambos Estados do Brasil, além de também englobar o norte do Paraguai e leste da Bolívia (que é chamado de chaco boliviano), considerado pela UNESCO Patrimônio Natural Mundial e Reserva da Biosfera, localizado na região o Parque Nacional do Pantanal. Em que pese o nome, há um reduzido número de áreas pantanosas na região pantaneira. Além disso, tem poucas montanhas o que facilita o alagamento.
A fauna pantaneira é muito rica, provavelmente a mais rica do planeta. Há 650 espécies de aves (no Brasil inteiro estão catalogadas cerca de 1800). A mais espetacular é a arara-azul-grande, uma espécie ameaçada de extinção. Há ainda tuiuiús (a ave símbolo do Pantanal), tucanos, periquitos, garças-brancas, beija-flores (os menores chegam a pesar dois gramas), socós (espécie de garça de coloração castanha), jaçanãs, emas, seriemas, papagaios, colhereiros, gaviões, carcarás e curicacas.
No Pantanal já foram catalogadas mais de 1.100 espécies de borboletas. Contam-se mais de 80 espécies de mamíferos, sendo os principais a onça-pintada (atinge a 1,2 m de comprimento, 0,85 cm de altura e pesa até 150 kg), capivara, lobinho, veado-campeiro, veado catingueiro, lobo-guará, macaco-prego, cervo do pantanal, bugio (macaco que produz um ruído assustador ao amanhecer), porco do mato, tamanduá, cachorro-do-mato, anta, bicho-preguiça, ariranha, suçuarana, quati, tatu etc.
A região também é extremamente piscosa, já tendo sido catalogadas 263 espécies de peixes: piranha (peixe carnívoro e extremamente voraz), pacu, pintado, dourado, cachara, curimbatá, piraputanga, jaú e piau são algumas das espécies encontradas.
Há uma infinidade de repteis, sendo o principal o jacaré (jacaré-do-pantanal e jacaré-de-coroa), cobra boca-de-sapo (Jararaca), sucuri, Jiboia-constritora,Cobra-d'água, cobras-água e outras), lagartos (iguana, calango-verde) e quelônios (jabuti e cágado).
A vegetação pantaneira é um mosaico de cinco regiões distintas: Floresta Amazônica, Cerrado,Caatinga, Mata Atlântica e Chaco (paraguaio,argentino e boliviano). Durante a seca, os campos se tornam amarelados e constantemente a temperatura desce a níveis abaixo de 0 °C, e registra geadas, influenciada pelos ventos que chegam do sul do continente.
A vegetação do Pantanal não é homogênea e há um padrão diferente de flora de acordo com o solo e a altitude. Nas partes mais baixas, predominam as gramíneas, que são áreas de pastagens naturais para o gado — a pecuária é a principal atividade econômica do Pantanal. A vegetação de cerrado, com árvores de porte médio entremeadas de arbustos e plantas rasteiras, aparece nas alturas médias. Poucos metros acima das áreas inundáveis, ficam os capões de mato, com árvores maiores como angico, ipê e aroeira.
Em altitudes maiores, o clima árido e seco torna a paisagem parecida com a da caatinga, apresentando espécies típicas como o mandacaru, plantas aquáticas, piúvas (da família dos ipês com flores róseas e amarelas), palmeiras, orquídeas, figueiras e aroeiras.O pantanal possui uma vegetação rica e variada, que inclui a fauna típica de outros biomas brasileiros, como o cerrado, a caatinga e a região amazônica. A camada de lodo nutritivo que fica no solo após as inundações permite o desenvolvimento de uma rica flora. Em áreas em que as inundações dominam, mas que ficam secas durante o inverno, ocorrem vegetações como a palmeira carandá e o paratudal.
Durante a seca, os campos são cobertos predominantemente por gramíneas e vegetação de cerrado. Essa vegetação também está presente nos pontos mais elevados, onde não ocorre inundação. Nos pontos ainda mais altos, como os picos dos morros, há vegetação semelhante à da caatinga, com barrigudas, gravatás e mandacarus. Ainda há a ocorrência de vitória-régia, planta típica da Amazônia. Entre as poucas espécies endêmicas está o carandá, semelhante à carnaúba.
A vegetação aquática é fundamental para a vida pantaneira: imensas áreas são cobertas por batume, plantas flutuantes como o aguapé e a salvínia. Essas plantas são carregadas pelas águas dos rios e juntas formam verdadeiras ilhas verdes, que na região recebem o nome de camalotes. Há ainda no Pantanal áreas com mata densa e sombria. Em torno das margens mais elevadas dos rios ocorre a palmeira acuri, que forma uma floresta de galerias com outras árvores, como o pau-de-novato, a embaúba, o jenipapo e as figueiras.
O Aracuã-do-pantanal Mede de 50 a 56cm de comprimento e pesa de 480 a 600g, sendo a maior espécie do gênero Ortalis. A característica mais marcante na plumagem é a cauda, longa, onde destacam-se as penas laterais marrom avermelhadas, contrastando com o cinza escuro das demais. Em voo ou pousados, deixam a cauda entreaberta, tornando visível essa característica. Pelo formato das asas, relativamente pequenas e redondas, precisam batê-las intensamente para cruzar áreas abertas. Apesar disso, atravessam os rios pantaneiros sem problemas.
O aracuã vive tanto no solo, quanto nas árvores, alimentando-se de folhas, frutos, sementes e flores, além de lagartas. No período de baixa de águas, quando várias árvores ficam sem folhas e florescem (como os ipês e Tarumã Vitex cymosa), pode-se observar os aracuãs comendo flores nas pontas dos galhos nus. Em bandos de até 30 indivíduos ficam empoleiradas nas galharias à procura de frutos, defecando as sementes intactas e atuando como grandes dispersoras.
No início das chuvas, começam a reproduzir. Fazem ninhos com galhos, cipós e folhas, em formato de plataforma e material pouco organizado. Ficam em árvores ou arbustos com folhagem densa, de 2,5m a 4m de altura. Ali são postos 4 ovos alaranjados ou de cor creme-escuro, chocados durante 28 dias. Um ou dois dias após nascerem, os filhotes emplumados já voam, acompanhando os pais ou grupo pelas árvores.
Vive em matas ciliares, capoeiras, matas secundárias, carandazais, bacurizais, veredas, ambientes algadiços, cerradão e matas secas. No pantanal só não vive em campos e cerrados sem capões de matas. Quando não é perseguido, habita as áreas próximas às casas. Chega a freqüentar o terreiro das residências pantaneiras.
No Brasil está presente em toda a planície do pantanal. Ocorre também no Paraguai, na Bolívia e na Argentina.
A Gralha-do-pantanal, é muito semelhante à famosa Gralha-azul do sul do Brasil e à Gralha-do-campo de todo o centro-oeste. Ao longe ou sob baixa iluminação (como dentro da mata ciliar) parece toda negra. No entanto, só a cabeça (parte), garganta e peito são negros. O restante do corpo é de um tom violeta forte, passando por uma área acinzentada escura. Bico forte, negro.
Sempre em grupos, alguns até com 12 gralhas, patrulham o ambiente em busca de alimento. Onívoras, comem desde pequenos invertebrados até filhotes de outras aves, bem como frutos e também podem destruir e comer colmeias de marimbondo.
Ao menor sinal de perigo ou para manter contato emitem o chamado característico, um grasnado grave e curto, várias vezes repetido. Os demais membros do grupo logo repetem e começam a aparecer na vegetação, em galhos expostos, sempre gritando. Social durante todo o ano, o ninho é feito com gravetos e parece haver cooperação entre todas para criar os filhotes. Seu ninho é de difícil localização.
Cruzam áreas abertas e rios com facilidade. O grupo atravessa aos poucos, indo uma ou duas por vez. O vôo é único, com batidas de asas em ritmos variados e com a cauda também movimentando-se. A impressão é de que não vai haver força para a travessia, apesar de serem excelentes voadoras. Não sendo perseguidas, acostumam-se com a presença humana e podem ser vistas nas áreas mais arborizadas.
Ocorre nos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo.
O João-do-pantanal, é residente tropical; vive aos pares; são monogâmicos.
O ninho de S. albilora é semelhante a uma retorta, sendo construído com gravetos e forrado com folhas. O seu exterior é constituído de gravetos maiores e espinhos. A construção do ninho é realizada pelo casal. Os ovos possuem formato piriforme, são esbranquiçados e apresentam superfície opaca (média de 20,5 x 16,4 mm, 2,8 g). O tamanho da ninhada é em em torno de 3 ovos. Os jovens são semelhantes aos adultos. A incubação é realizada exclusivamente por um indivíduo, sendo estimada em 15 dias, os filhotes permanecem no ninho por 13 dias. A estação reprodutiva se estende de agosto a dezembro.
O joão-do-pantanal é uma ave comum no sub-bosque de florestas semi-decíduas, florestas de galerias e densas formações arbustivas nas margens de corpos hídricos.
Distribui-se pelo sudoeste do Brasil, leste da Bolívia e norte do Paraguai, sendo restrito a áreas alagáveis. Embora a espécie tenha uma área restrita, ela não é considerada ameaçada e é muito numerosa no Pantanal.